Depoimentos
Celina Andrade Pereira
Sou
psicóloga do Projeto Jovem Doutor e responsável pelo conteúdo do módulo
de alcoolismo, com apoio e supervisão da ONG CISA (Centro de Informações
sobre Saúde e Álcool). Comecei a participar do projeto em março,
ajudando os graduandos a desenvolver dinâmicas e questionários para
avaliação do projeto. Sempre gostei de projetos sociais, com
envolvimento de comunidades carentes, e de cara me apaixonei pelo Jovem
Doutor.
Essa paixão sempre foi, desde a minha adolescência, alimentada por
fantasias e ideais de um Brasil melhor, mais justo, mais humano, com
saúde e educação para todos.
O Jovem Doutor é um projeto que, com o uso de ferramentas de
teleducação interativa, diminui as diferenças de oportunidades entre as
diversas camadas sociais do nosso país. Até aí, ele em nada diferia dos
outros projetos sociais nos quais tinha me envolvido.
A diferença veio depois de conhecer, concretamente, as dificuldades e
injustiças desse país de dimensões continentais, que, até então, para
mim, eram apenas teóricas. A visita e implantação do Jovem Doutor na
região amazônica nos levaram até Manaus, suas comunidades ribeirinhas e
Parintins, ilha fluvial a sofridas 14 horas de barco da capital (as
únicas formas de acesso a Parintins são por barco ou avião). O grau de
dificuldade e o nível de carência que podemos encontrar no Brasil deram
ao Jovem Doutor uma dimensão muito maior do que a de uma simples
fantasia. Quem mora em São Paulo e tem como parâmetro de dificuldade as
regiões violentas da periferia da nossa cidade, não tem a dimensão dos
problemas provocados também pelas barreiras geográficas e pela falta de
infra-estrutura.
Minha responsabilidade, como profissional do Jovem Doutor, ganhou um
contorno mais concreto quando percebi que muitos destes problemas
provocados pela falta de saneamento básico, de noções elementares de
higiene, educação e prevenção, orientações sobre primeiros-socorros e
cuidados com mordeduras de cobras e de insetos, podem ser drasticamente
atenuados pelo Projeto. São universitários que, com orientação de
profissionais especialistas, levam seus conhecimentos às comunidades
mais distantes através de videoconferências, tutor eletrônico e outras
ferramentas de teleducação interativa. Isso não é o máximo!? Dividir o
nosso conhecimento com populações carentes que, de outra forma,
dificilmente teriam condições mínimas de uma vida digna.
Finalmente, participar desta experiência incrível que é a de vencer
as barreiras e as limitações impostas pela distância, pelo isolamento e
pela pobreza, graças ao uso de ferramentas da moderna tecnologia é
simplesmente maravilhoso. É uma forma de efetivamente colaborar na
construção de um novo Brasil.
|